A EXPERIÊNCIA DO MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA PORTUGUESA

A CONSTRUÇÃO DE UMA DEMOCRACIA NA AÇÃO EDUCATIVA

Autores

  • Américo Peças

Resumo

Neste Minicurso propomo-nos partilhar três questões fundamentais:

  • O que é, como se vem constituindo e o que pressupõe a abordagem pedagógica do Movimento da Escola Moderna Portuguesa;
  • A ideia e a praxis de escola que prosseguem os professores do Movimento da Escola Moderna Portuguesa;
  • A contemporaneidade e a universalidade da proposta pedagógica do Movimento da Escola Moderna Portuguesa.

 

Sérgio Niza, um dos fundadores do MEM, lembra que os grandes avanços da pedagogia ocorrem para resolver problemas concretos da educação concreta, situada, autêntica. Sempre que fugimos do nosso viver (da vida), a pedagogia não se afirma, não se realiza, não faz avançar a cultura. Desta ideia de modelo pedagógico como “referencial aberto e inclusivo” pode o modelo do MEM constituir-se como campus exemplar. A pedagogia do MEM tem vindo a ser construída e reconstruída ao longo do tempo sempre a partir das práticas diárias: é um modelo contextualizado teoricamente pela reflexão dos educadores portugueses que o vêm desenvolvendo.

O que nos distingue claramente como movimento pedagógico é esta consciência vivida de que “a profissão nunca está construída”. A inovação exige processos de (des)construção e reconstrução de referências  profissionais e pessoais. A mudança acontece transversal e simultaneamente nos campos inter e intrapsicológico, reivindicando uma profunda coerência nos planos ético, cívico, cultural, científico e profissional. Este trânsito exigente não pode ser feito isoladamente. Ninguém muda sozinho. Daí a nossa obsessão pelo grupo de formação, a desencadear processos de auto e heteroformação, dialogicamente sustentada e cooperadamente acrescentada. Aprender o modelo pedagógico do MEM pressupõe aceitar este compromisso de partilhar o que aprendemos, e com outros acrescentámos, como condição do próprio aprender.

O MEM tem uma identidade e reivindica-se de uma cultura elegendo três sentidos vitais para a escola: iniciação na vida democrática, reconstrução cooperada da cultura e da ciência e implicação social (ressignificação social) dos percursos de aprender.

 

A organização pedagógica pressupõe a possibilidade e a necessidade fundamental de os aprendizes todos dela (organização) se apropriarem, dela se servirem, sobre ela poderem agir e com ela se acrescentarem em mundivivências e saberes. Esta organização funda-se num clima permanente de livre expressão favorecendo e instituindo um ambiente comunicacional estimulante. O professor é o promotor ativo de uma ambiência de aprendizagem fecunda, orientando o trabalho de aprendizagem para produções culturais que hão-se depois circular na turma, na escola e na comunidade.

A radicalidade destes sentidos exige uma vivência democraticamente exemplar. A instância de decisão democrática por excelência é o Conselho de Cooperação da Turma, que se reúne, com duas funções fundamentais e indissociáveis:

  1. A Organização Social das Aprendizagens
  2. A Regulação Sociomoral na comunidade de aprendizagem

 

O modelo pedagógico do Movimento da Escola Moderna Portuguesa é efetivamente uma proposta de educação diferente. Porque a diferença é aqui a condição para cuidar do património ético e científico que o melhor da humanidade nos vai legando e que inscrevemos nos ideários generosos em que a escola se funda.

Biografia do Autor

Américo Peças

Pedagogo, Formador e Consultor Científico para a Formação de Professores. Membro do Movimento da Escola Moderna Portuguesa. Consultor para a Educação e a Ação Social no Chapitô (Lisboa). Portugal.

Publicado

2026-07-21

Como Citar

PEÇAS, A. A EXPERIÊNCIA DO MOVIMENTO DA ESCOLA MODERNA PORTUGUESA: A CONSTRUÇÃO DE UMA DEMOCRACIA NA AÇÃO EDUCATIVA. Anais do Congresso Internacional de Educação, Santa Maria, RS, 2026. Disponível em: https://revistas.fapas.edu.br/index.php/congressoeducacao/article/view/645. Acesso em: 14 ago. 2026.