ESPIRITUALIDADE E EDUCAÇÃO

Autori

  • Sônia Bonelli

Abstract

Iniciamos nossa reflexão, trazendo alguns elementos sobre a Espiritualidade na Educação como uma possibilidade de, como educadores olharmos nossos educandos como seres humanos integrais, ou seja, que precisam desenvolver-se social, racional, emocional e espiritualmente. É possível fazer esta relação? Quando falamos em educação podemos trazer presente a mística? O espírito? O sobrenatural? Sim, acreditamos que isto é possível porque estamos falando exatamente de educação no sentido mais amplo da palavra, qual seja, o do desenvolvimento integral do ser humano logo, a espiritualidade deve estar presente neste sujeito. Como fazer então para trabalhar esta questão?

Direcionemo-nos para o professor, educador de todos os tempos e a relação que ele estabelece com o educando para descobrir o sentido da vida. Segundo Oliveira (2006 p.26), “ se existe uma mística ou uma espiritualidade do educador ela reside precisamente nisso: em educar para a descoberta do sentido da vida”.

Dessa forma, entendemos que a espiritualidade na educação passa pelo papel fundamental do professor, que deve fazer com que o aluno se modifique interiormente, acreditando no potencial que existe dentro de si o que permitirá o amadurecimento de sua espiritualidade. Ainda de acordo com o autor, essa maturidade poderá ser encontrada no Evangelho.

Nesse sentido, acreditamos que não é possível falar em espiritualidade na educação sem falar dos ensinamentos de Cristo, ele que foi o maior dos educadores. Ensinava através de parábolas, que são pequenas histórias que Ele contava, quando queria que as pessoas entendessem um pensamento de grande valor. Através da forma figurada, Jesus conseguia fazer com que as pessoas tivessem a compreensão da vida, de forma mais simples e mais profunda.

Jesus em suas pregações ensinava a partir das nossas necessidades. Ele era tão informal que as pessoas se sentiam à vontade para fazer-lhe perguntas; ensinava vida e nunca discriminava ninguém; ao contrário, para Ele, todos eram iguais, conhecia e valorizava cada um. Podemos até dizer que Jesus preenchia com seus ensinamentos nossas necessidades intelectuais, espirituais, emocionais e físicas, pois preparava vidas para o tempo e para a eternidade.

O processo de educação começa então com o chamado para estar com o Mestre, beber de sua sabedoria e fé, imbuir-se do Espírito que o anima. A educação se faz convivendo com pessoas significativas, que agregam valor, que são referências para a vida.  O educador vê no outro, para além de ideologias, um parceiro no processo de construção de um saber efetivo e afetivamente significativo.   Somos parte do que amamos e queremos. As coisas que fazemos têm parte de nós, têm a nossa face, pois os nossos compromissos e a  nossa confiança plasmam a nossa identidade . É pelas opções cotidianas, que definem uma orientação para a vida, que podemos falar de identidade pessoal.  O ato de educar é, essencialmente, fruto do diálogo, acontece na interação comprometida e responsável. Educar é alimentar o desejo (vontade), o coração e a inteligência para o desafio de assumir a construção histórica do próprio destino, individual e sociocultural, de maneira solidária e responsável.

De acordo com Meier (2006), a partir do momento em que sou capaz de ver o outro como um irmão, uma irmã, isso implica profundidade de laços, fazendo com que minhas ações educativas necessariamente sejam outras, potencialmente compromissadas, uma vez que  “somente os humanos têm a faculdade de conceber o ideal, de acrescentar algo ao real, de conferir sentido à existência. Eis o papel do educador: ser motivador e facilitador desse processo”. (p.170) O trabalho docente é impossível sem a interação humana, uma vez que educador e educando se complementam na busca de suas humanidades, na busca do sentido de ensinar e aprender, na busca das relações que se estabelecem entre eles para que cada um possa crescer e amadurecer como ser humano, fortalecer vínculos e, principalmente, escutar o outro, aceitando-o com suas diferenças e acolhendo-o nas suas idiossincrasias. Dessa forma, “a presença  afetiva  do educador é a presença de uma espiritualidade que sabe cuidar das coisas e das pessoas. Esse amor que cuida, busca outros jeitos, imagina e explora possibilidades ainda ausentes, constrói unidade e antecipa o possível”. (MEIER, 2006 p.170)

Somos seres espirituais e devemos nos colocar a serviço de uma espiritualidade que transcenda particularidades, que nos encaminhe para a comunhão no sentido de construção comunitária, com um convívio responsável, e consequentemente, trabalhar com os educandos esta superação do caos na busca da integralidade do ser humano e do sentido para a vida.

Biografia autore

Sônia Bonelli

Doutora em Educação, Professora da Faculdade de Educação da PUCRS e da PUCRS VIRTUAL.

Riferimenti bibliografici

MEIER, Celito. A educação à luz da pedagogia de Jesus de Nazaré. São Paulo: Paulinas, 2006.

OLIVEIRA, Paulo E. Mestres que seguem o Mestre – uma espiritualidade do educador. São Paulo: Paulinas, 2006.

Pubblicato

2026-07-21

Come citare

BONELLI, S. . ESPIRITUALIDADE E EDUCAÇÃO. Anais do Congresso Internacional de Educação, Santa Maria, RS, 2026. Disponível em: https://revistas.fapas.edu.br/index.php/congressoeducacao/article/view/652. Acesso em: 14 ago. 2026.