A QUESTÃO DO CONHECIMENTO ANALÍTICO-SINTÉTICO EM KANT E FREGE
Resumo
O trabalho objetiva analisa o par conceitual “analítico – sintético”, bem como outros termos (como o a priori – a posteriori) relacionados com tais conceitos, em Kant e Frege. A concepção kantiana, no que se refere ao analítico e ao sintético, encontra-se estreitamente relacionada com sua epistemologia transcendental, sobretudo com seu sistema a priori de condições elementares do conhecimento. Assim, a filosofia kantiana introduz a distinção entre o analítico e o sintético a partir da diferenciação epistemológica entre a priori e a posteriori. A origem do conhecimento crítico sempre está relacionada a uma das duas fontes elementares: a) como oriundo de dados empíricos e, portanto, a posteriori; b) ou então proveniente dos elementos transcendentais puros e a priori. O analítico e o sintético, não obstante, são conceitos que estão relacionados com o modo de justificação dos conhecimentos expressos em juízos. O juízo articula a relação entre sujeito e predicado, o qual pode validar tal relação epistemológica de duas maneiras, respectivamente, de modo analítico e sintético: o juízo pode ser considerado analítico quando o predicado já está contido (implicitamente) no próprio sujeito; e sintético quando o predicado não se encontra no sujeito, pois sua verdade depende de elementos externos ao sujeito. Frege, por sua vez, compreende o analítico e o sintético como sendo conceitos relacionados às definições lógicas, não mais centradas numa epistemologia, como em Kant. Neste sentido, tais termos são apresentados por meio de um processo demonstrativo de retrocesso lógico às suas verdades primitivas, fundamentado em leis lógicas e definições gerais.
Referências
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