DA ANGÚSTIA ENQUANTO “EXISTÊNCIA COMO POSSIBILIDADE”

A VERTIGEM DA LIBERDADE EM KIERKEGAARD, “O NÃO SENTIR-SE EM CASA” EM HEIDEGGER E A “ANGÚSTIA SOU EU” EM SARTRE

Autores

Palavras-chave:

Angústia, Liberdade, Kierkegaard, Heidegger, Sartre

Resumo

Detendo-se na angústia enquanto existência como possibilidade, o Prof. Luiz Carlos Mariano Da Rosa mostra que, tal qual em seu emergir caracteriza-se como aquilo que guarda condição de estranheza, Kierkegaard assinala que a sua emergência consiste em um sentimento de risco que em condição de imanência se impõe a toda possibilidade como tal enquanto sentimento puro da possibilidade em face da liberdade como determinação fundamental do devir e o caráter contingente do possível, o que implica a realidade da liberdade enquanto possibilidade para a possibilidade, que encerra dois caminhos, a saber, o suicídio ou a fé. Dessa forma, baseado no princípio fenomenológico-ontológico-existencial, o artigo sublinha que Heidegger assinala que não é senão a angústia que instaura e antes inaugura o abrir o mundo como mundo, a qual, longe de se deter em angústia-com, implica também angústia-por que, remetendo a pre-sença para aquilo pelo que a angústia se angustia, a saber, o seu próprio poder-ser-no-mundo. E, finalizando, o artigo destaca que, tendo como princípio teórico-conceitual a perspectiva de que a liberdade é o ser da consciência, Sartre se detém na questão se há consciência enquanto consciência de liberdade, como pressuposto, e qual é a forma desta consciência, assinalando que, constituindo-se angústia o locus que possibilita ao existente humano a consciência de sua liberdade, não é senão o que perfaz o modus essendi da liberdade como consciência de ser.

Biografia do Autor

Luiz Carlos Mariano Da Rosa, LU - Lucent University

Doutorando em Filosofia pela Selinus University of Science and Literature (UNISELINOS – Londres / Inglaterra). Mestre em Filosofia pela Universidade Gama Filho (UGF - RJ). Mestre em Teologia pela Lucent University (LU – TX / USA). Pós-Graduado Lato Sensu em Ensino de Filosofia no Ensino Médio pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP - SP). Pós-Graduado Lato Sensu em Filosofia pela Universidade Gama Filho (UGF - RJ). Pós-Graduado Lato Sensu em Ciências da Religião pela Universidade Cândido Mendes (UCAM - RJ). Bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Estácio de Sá de Ribeirão Preto (UNESA - SP) e pela Faculdade Batista de Minas Gerais (FBMG - MG). Licenciado em Filosofia pelo Centro Universitário Claretiano de Batatais (CEUCLAR - SP). Professor de Filosofia, Sociologia, História e Ensino Religioso na SEDUC/SP (Secretaria da Educação do Estado de São Paulo), Pesquisador no Mariano Da Rosa Research Institute (MDRRI - TX / USA) e Professor-Pesquisador na ONG EPZ/SP - Espaço Politikón Zôon - Educação, Arte e Cultura (São Paulo/Brasil). Editor na PZP/SP - Politikón Zôon Publicações (São Paulo/Brasil), no Philosophy International Journal - PhIJ (ISSN: 2641-9130) - Medwin Publishers (Michigan/USA), e na Mariano Da Rosa Academic Editions (MDRAE - TX / USA).

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Publicado

2025-03-12

Como Citar

Mariano Da Rosa, L. C. (2025). DA ANGÚSTIA ENQUANTO “EXISTÊNCIA COMO POSSIBILIDADE”: A VERTIGEM DA LIBERDADE EM KIERKEGAARD, “O NÃO SENTIR-SE EM CASA” EM HEIDEGGER E A “ANGÚSTIA SOU EU” EM SARTRE. Revista Litterarius, 23(02). Recuperado de https://revistas.fapas.edu.br/index.php/litterarius/article/view/195